A proposta é ousada: reinventar o Recife e transformá-lo numa cidade-parque até o ano de 2037, quando será a primeira capital brasileira a completar 500 anos. Esse é o objetivo do projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Recife Cidade Parque – Plano de Qualidade da Paisagem, realizado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fruto de convênio com a Prefeitura do Recife.
No que consiste essa transformação? Trata-se da criação de uma “cidade azul-verde”, que reconecta as áreas urbanas à natureza, valorizando os cursos d’água, o mar e a vegetação. A ideia é, a partir das bacias dos rios Capibaribe, Beberibe, Tejipió e da frente marinha, ampliar as áreas verdes no Recife, seja nas regiões de mata, morro, planície, estuário ou litoral. O “enverdecimento” seria realizado com a implantação de um sistema de parques, isto é, de espaços livres, verdes, públicos e privados de qualidade. Explicando melhor: será implantada uma grande rede de áreas vegetadas, conectando desde parques, praças, jardins, mirantes, até escadarias nos morros, ruas arborizadas, locais de lazer, quintais e vazios urbanos.
Além de serem coletivos e inclusivos, os espaços, ao recuperarem e incrementarem a vegetação, vão permeabilizar o solo, facilitar o escoamento das águas – evitando enchentes – e tornar os locais mais frescos. Essa mudança será realizada com a participação da população e o resultado será uma cidade mais resiliente à crise climática, mais inclusiva e que oferecerá mais qualidade ao habitar, proporcionado conforto, saúde, segurança e bem-estar aos recifenses.
A mobilidade é outro ponto importante para permitir que a população possa se deslocar com a utilização de diversos modais, incentivando as caminhadas e o uso de bicicletas e do transporte público coletivo.
Mais de 100 pesquisadores atuam no projeto, que se estrutura em três eixos: Paisagem, Infraestrutura e Oceanografia, além de uma Coordenação de Comunicação.
Plano Diretor
Uma transformação dessa grandeza requer que seja executada a longo prazo. Portanto, é preciso que seja adotada como uma política pública duradoura e não uma iniciativa restrita a um mandato da gestão municipal. Para garantir a sua longevidade, o conceito de cidade-parque está inserido no Plano Diretor do Recife (Lei Complementar 2/2021). Segundo o texto da lei, a cidade-parque “visa qualificar o território como uma zona de baixo carbono, promovendo a revitalização de corpos hídricos, a arborização do sistema viário e a implementação de redes de mobilidade ativa (ciclovias e calçadas) integradas à rede hídrico-ambiental estruturadora.”
O Plano Diretor também ressalta que “essa estratégia busca ampliar os espaços verdes públicos para atender à demanda por lazer, saúde e bem-estar, além de aumentar a resiliência urbana aos impactos das mudanças climáticas, integrando os elementos naturais aos estruturadores da cidade”. Vale ainda destacar que o Plano Diretor busca reconquistar a relação da população com as frentes d’água, potencializando o tratamento das áreas de preservação da cidade através da articulação do patrimônio histórico e cultural aos seus rios e áreas verdes”.
Como se pode perceber, a proposta do Recife Cidade Parque é arrojada, mas plenamente factível. Conhecido como “cidade anfíbia”, por ser banhado pelo mar e recortado por rios e canais, o Recife concilia-se com suas águas num projeto de futuro que oferece resiliência às mudanças climáticas e qualidade de vida aos recifenses.
A primeira iniciativa prática desse estudo foi o Parque Capibaribe. A ideia era reconectar as áreas verdes da cidade formando um sistema de parques articulado pelo rio. Graças a um convênio firmado em 2013 entre a UFPE e a Prefeitura do Recife, o resultado da pesquisa tornou-se uma política pública. Em 2016 foi inaugurado o primeiro parque, Jardim do Baobá, e em 2021, o Parque das Graças.
O projeto de pesquisa Parque Capibaribe foi considerado Good Practice pela Agência Cultural do Governo Neerlandês em 2020 e já realiza grandes transformações na cidade, que antes dava às costas ao seu icônico rio. Hoje os parques são frequentados por pessoas de diferentes faixas etárias e classes sociais, que passaram a valorizar o rio e o manguezal situado nas suas bordas, e a ter contato com a fauna local, como as capivaras. Os parques tornaram-se espaços de encontros, lazer e contemplação do Capibaribe.
Em 2023, foram incluídos na pesquisa os rios Beberibe, Tejipió, e a frente marinha, passando a se denominar Projeto Recife Cidade Parque – Plano de Qualidade da Paisagem.

Parceria entre a Prefeitura do Recife e a UFPE, na busca de soluções para os desafios do Recife diante das mudanças climáticas.

Parceria entre a Prefeitura do Recife e a UFPE, na busca de soluções para os desafios do Recife diante das mudanças climáticas.

Parceria entre a Prefeitura do Recife e a UFPE, na busca de soluções para os desafios do Recife diante das mudanças climáticas.

Parceria entre a Prefeitura do Recife e a UFPE, na busca de soluções para os desafios do Recife diante das mudanças climáticas.
